"Nós temos que controlar ele, e não deixar ele nos controlar"
No dia 28 de junho de 2014, a vida dele virou do avesso. "Foi pá! Para tudo!". Ele tinha 24 anos quando recebeu o diagnóstico. Procurou o hospital depois de tentativas frustradas de curar uma gripe. "Levei um exame de sangue pra casa tranquilamente, quando abri, deu HIV reagente".
Welton não estava apenas infectado com o vírus, como tinha desenvolvido a aids. "Pensei morri, já era, é o fim. A primeira visão que veio na minha cabeça é aquela imagem do Cazuza doente. Chorei por uns 5 minutos". E essa foi a primeira de três vezes, nesses três anos, que ele chorou por causa do HIV.
Começou a procurar matérias, pesquisas, artigos e tudo o que pôde para entender o que os profissionais de saúde, amigos e sociedade não sabiam, não podiam ou não queriam explicar. Até que no emaranhado de informações desencontradas de internet, Welton conheceu Diego Calixto, um ativista soropositivo. "Vi que ele era um jovem, bonito, saudável e pensei... peraí, como ele pode ter aids?"
Diego simplesmente lhe disse "esquece tudo o que aprendeu até hoje". Talvez tenha até se esforçado para enganar a mãe por alguns segundos. Tentativa frustrada. "Fui eu quem te colocou no mundo, menino, eu sei que não está tudo bem", disse ela com a sabedoria de quem percebeu logo cedo que tinha algo errado por ali, e já emendou dizendo que estaria do lado dele. Sempre. Essa foi a segunda vez que Welton chorou.
Três meses depois Welton retornou ao médico e encontrou um rapaz que tinha acabado de ser diagnosticado HIV positivo. "Vi o desespero no olhar dele". É no olhar que identifica que ele aprendeu o que dizer para todos os que acabaram de receber essa notícia: "Você está vendo o vírus em mim? Não. Então como vou deixar ele ser maior do que eu, se nem eu mesmo posso ver ele? Nós temos que controlar ele, e não deixar ele nos controlar"
Após seu tratamento, Welton não tem mais a doença, convive apenas com o vírus HIV. E encontrou a motivação para trabalhar como educador no Projeto Viva Melhor Sabendo Jovem. Lá, jovens são capacitados para realizar testes de HIV de fluído oral. No projeto, diagnosticaram 32 casos. Para Welton, 32 chances de salvar vidas. Se tem algo que não fez durantes os três anos de HIV foi se vitimizar. "Pra que procurar ser vítima se você pode procurar ajudar outras pessoas?
Saiba mais em:
https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2017/10/19/o-hiv-nao-e-o-fim-da-vida-diz-jovem-de-24-anos.htm


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